Nova série.

20.2.16 Anahy Britto 0 Comments

Bom, acho que já falei aqui que não há final de série pra mim. Sempre deixo alguns croquis e estudos de trabalhos que continuarão cada série quando a minha alma pedir essa retomada. Então, com o número de trabalhos da série Ervas Phynas extrapolado (que não significa muito, uma vez que é só uma meta a alcançar, o que me permite persistir naquele conceito) me sinto liberada para iniciar mais uma série.
Dessa vez, resolvi representar algumas personagens do nosso cotidiano baiano, as herdeiras das negras nagôs, das minas, das bantos, das angolas, das congo etc.
Nós, as brasileiras e, ainda que distante e não unicamente, descendentes dessas fortes mulheres, somos o que resulta dessa profusão de culturas e genes. Todas temos em algum lugar da árvore genealógica o pé lá. Na África. O que para mim é motivo de grande orgulho e felicidade!!
Essa série se chama Axé, porque é uma palavra que remete tanto à ritualística sagrada afro brasileira, quanto à animosidade e alegria, sendo também usada para denominar um gênero musical baiano. Nela as bailarinas dançam o axé e usam o traje típico "crioula", que é a tradução do traje das vendedeiras portuguesas dos séculos XVIII e XIX, adaptados ao nosso trópico pelas nossas ascendentes miscigenadas escravas e forras, vendedeiras nas ruas de São Salvador. Anáguas, chita, bordados de crivo, renda de bilro, acessórios "crioulos", turbantes e outras tantas coisinhas foram enriquecendo e transformando esse trajar em algo genuinamente brasileiro. Algumas vezes talvez eu venha a desenhá-las com sandálias, mas estou no intuito de fazê-las descalças, pois as escravas eram proibidas de usar sapatos, o que se tornava o indicativo do cativeiro, em contradição à nossa atual sensação de liberdade em andar com os pés descalços.
A meta será de dez desenhos para essa série, podendo ultrapassar com muito gosto!!
Estou muito feliz em estar caminhando com a minha arte e conseguindo ancorar algumas idéias e estudos junto a ela!!

Um abraço de axé!
Anahy

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