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Telú, persona telúrica

Nesses últimos dias tenho deixado a mente vagar um pouco entre pensamentos de leveza e sentimento de pertencimento, em especial o de pertencer ao lugar de origem, ao universo, ao clã familiar, ao clã fraterno da humanidade.
Dessas divagações nasceu uma persona: Telú (de telúrica, de telluricus ' pertencente à terra'), um ser humano desprovido de artificialismo, de necessidades de ter o extraordinário. Movido muito mais pela necessidade de ser. Ser amigo, ser fiel, ser sincero, ser simpático, ser resiliente, ser cooperativo...ser bom e amar o seu lar (Terra). Isso é lúdico? Bobo?
Bobo é tentar parecer pior do que se é, apenas pra seguir um "cardume" sem rumo e depressivo que vive a dualidade constante de querer e alegrar-se, possuir e deprimir-se, tendo seus dias consumidos nesse ciclo medíocre e destruidor... bom mesmo é ser feliz agora, fazer a vida melhor a g o r a! Cuidar, cuidar-se; ser apenas gente querendo ser gente.
Prefiro a sinceridade e alegria de viver, inatas do ser humano em suas primeiras fases de existência nesse planeta azul, a esses tantos "quereres aborrecidos"!
Telú 'nasceu' enquanto eu fazia cruzadinhas e, há mais de uma semana, vem povoando os papéis que passam distraídos pela minha frente, inclusive as páginas da própria revista de cruzadas. Ela pula daqui, pula dali... hoje ela pulou pra um prato de porcelana também!
Apresentando: TELÚ


 Um abraço de luz,







Tentando um autorretrato

Sempre quis tentar retratar pessoas de uma maneira mais solta, sem estar presa apenas à aparência física, procurando buscar características da personalidade e filosofia de vida. Desafio difícil nos dias atuais, onde raras são as pessoas que se deixam saber como realmente se formam e onde a grande maioria vive de maneira midiática, seguindo um cardume pré fabricado pelas mídias sociais. Mas como eu sou teimosa, resolvi enfrentar o desafio e comecei por mim mesma, pois creio ser a pessoa da qual tenho maior informação dos aspectos interiores. Por isso acredito ser mais fácil uma retratação com o mínimo de fidelidade.
Então vamos lá:
Comecei com um croqui num caderninho; depois escaneei e aumentei usando o CorelDraw; tentei imprimir, mas não saiu legal (as minhas coisas à grafiti não ficam muito boas para impressão); resolvi continuar o desenho à mão; pintei com aquarela e finalizei com lápis de cor. A caligrafia foi feita com pena e nanquim.


Ah Drummond!!!

Devaneio que se devaneia junto...


Organiza o Natal

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? Perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.


Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.
Carlos Drummond de Andrade



Aquarelazinha em andamento...

Aquarelas mine, série Natal Especial do projeto Rococó Revisitado.


Rosto de coração

"Tudo quanto se destina a surtir efeito nos corações, do coração deve sair."
- Goethe



Bom, a origem desse desenho foi o comentário de uma amiga artista sobre uma ilustração feita por mim há alguns dias atrás. Ela disse que adorava o formato de coração do rosto ilustrado. Fiquei matutando sobre isso e resolvi desenhar um rosto a partir da forma de um coração literalmente, porque o que eu fiz antes não foi intencional, nem atentei para tal coisa...
Comecei com o coração e fui humanizando a face aos poucos. Também aproveitei para treinar olhos...
Ficou satisfatório o desenho, mas a explosão de cores e a vibração da aquarela se sobressaíram ao desafio. Completei com uma frase minha, usando caligrafia com bico de pena (nanquim e aquarela).


Um abraço de coração,
Anahy

Simples...

"Curta coisas simples. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego. Lágrimas acontecem. Agüente, sofra e siga em frente.
A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesmo. Esteja vivo, enquanto você viver!
Diga a quem você ama, que você realmente os ama, em todas as oportunidades.
E lembre-se sempre que: A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego: de tanto rir… de surpresa… de êxtase… de felicidade…
Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol."
Pablo Picasso


Porque é sempre bom refletir e contemplar a simplicidade!
Seja sol!
Um simples abraço,
Anahy

Resenha sobre essa ilustração aqui.